Capturando Sorrisos Espontâneos
- Rodolfo Lira

- 2 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Sorrir não é uma ação, é uma reação. Falando assim parece óbvio, mas pensando nisso, não perde um pouco o sentido sempre registrar as pessoas sorrindo? Porque seguimos fazendo isso? A resposta é de uma simplicidade encantadora! Normalmente retratamos o nosso melhor. Nossa melhor versão em vários momentos. Se o retrato é a fotografia de um modelo consciente de que está sendo retratado, queremos estar sempre bonitos, felizes e com uma boa expressão da nossa personalidade. Além de parecermos naturais como se nem soubéssemos que estavam nos clicando, é lógico: "Aí, você me clicou?"
Podemos dividir a fotografia em duas categorias principais: O Fotojornalismo e o Retrato. Sei que estou simplificando, que essas não são as definições, mas vamos combinar que é melhor simplificar que complicar.

Se quem está fotografando interagir ou se deixar ser notado, ele modifica a cena. Mesmo em silêncio e sem tocar em nada, as pessoas, animais e mesmo a natureza (estude física quântica!) deixam seu estado natural se observadas e notadas. Simples assim.
Já se o fotógrafo permanece além da percepção e consegue registrar sem intervir, ele registra um ponto de vista daquele momento espontâneo. O que pode ser ótimo nas condições ideais! E nesse momento, como seres humanos, queremos tudo. Uma linda foto natural, mas com o cílio no lugar; no ângulo bom do meu nariz; meu namorado bonito, mas não mais do que eu; que disfarce que eu sou baixinha e sem aparecer a alça do sutiã e tudo isso comigo desse lado porque é o lado bom do meu cabelo...
E essa é a missão do Super fotógrafo. Não somos pagos para fazer boas fotos. Essa parte tem muita gente capaz de fazer. O equipamento faz cada vez menos diferença também. A diferença real de um profissional para um amador é que o amador pode voltar com desculpas, já um profissional tem que voltar com fotos. Ótimas por sinal.

Quando não é necessário, não queremos modificar o que vocês nos entregam, mas acredito que nunca na vida ninguém chegou se gabando de ser ótima modelo! Ou um noivo que pulou na frente da noiva e falou: “Cara, eu adoro ser fotografado, faz mais fotos minhas do que dela!”
As pessoas normais são assim mesmo, normais. Até porque toda sessão, casamento ou evento é um misto de expectativa e insegurança. A expectativa de que vai ser tudo como você sonhou, e a insegurança de que algo está sempre pronto para estragar.
Seja você, seja o fotógrafo, a chuva ou qualquer outra coisa.
E nessa hora ter alguém que te não te dá uma direção, que não te ajuda e só te diz para agir naturalmente, vai aumentar a sua ansiedade. Você pode pensar: “Como agir naturalmente? (até porque eu nunca pensei em como agir naturalmente). Como eu ando naturalmente? Segurando a mão naturalmente? Como se anda mesmo? SOCORRO!”
Por isso pedimos que vocês andem por aí, fazemos piadinhas, brincamos sobre quem teve a iniciativa com o outro, afinamos e repetimos tudo isso: -Pera, um pouquinho pra cá... Isso... Agora de mãos dadas e se olhem pela 508ª vez... Bem aí! SHOW!

Montamos as cenas para que o natural aconteça. Seria como preparar um vaso para plantar uma flor. Sabemos o que queremos quando plantamos a semente, mas a planta cresce da sua forma natural, e normalmente floresce.
Então se você quer registrar sorrisos, ajude plantando as sementes. Para casais, brinque sobre com quem os filhos vão se parecer, ou quem tem a melhor sogra. Enquanto isso, explique que ela pode passar a mão sobre o pescoço dele, e que pode girar o quadril um pouco (isso afina a cintura, mas você não precisa explicar. só fazer). E depois da pose inicial feita, dos sorrisos plantados, e do romance engatado, seja leve, seja pequeno, quase imperceptível, como se nem estivesse lá.






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